Quinta-feira 18 Safar 1441 - 17 Outubro 2019
Portuguese

Parecer sobre o uso de comidas que contém substâncias derivadas do porco e como lidar com elas

114129

Data de publicação : 11-09-2017

Vistas : 1402

Pergunta

Gostaria de pergunta-los sobre os produtos que compramos sem saber o que contém, talvez possam conter algo haraam (ilícitos).
Eu li na internet que os produtos que contêm uma das seguintes substâncias são haraam:
E100 , E110 , E120 , E140 , E141 , E153 , E210 , E213 , E214 , E216 , E234 , E252 , E270 , E280 , E325 , E326 , E327 , E334 , E335 , E336 , E337 , E422 , E430 , E431 , E432 , E433 , E434 , E435 , E436 , E440 , E470 , E471 , E472 , E473 , E474 , E475 , E476 , E477 , E478 , E481 , E482 , E483 , E492 , E493 , E494 , E495 , E542 , E570 , E570 , E572 , E631 , E635 , E904 (pode conter o E104-E122-E141-E150-E153-E171-E173-E180-E240-E214-E477-E151)
A fatwa seguinte está nos seguintes websites:
- www.islamweb.com
- www.islamonline.net
“Os números supramencionados, de acordo com os cientistas Muçulmanos, são substâncias que foram transformadas em substâncias totalmente diferentes. Elas não podem ter seus atributos originais e, portanto, não podem ser nomeados de acordo com a substância original da qual são feitos.
Esta transformação química ou natural fez a substância se tornar outra. É permissível então comer produtos contendo essas substâncias após terem perdido seus atributos originais. Os sábios Muçulmanos sabem que a transformação cancela a proibição. Um exemplo disso é dado pelo conhecido sábio imam ibn Taymiyah: “Se um porco ou um cão cai em um saleiro e se transforma sob o efeito do sal até que perca seus atributos originais, é permitido usar este sal” esta é uma regra conhecida para os primeiros sábios Muçulmanos. Eles usaram a transformação como uma forma de tornar permissíveis algumas coisas proibidas. O que é haraam é usar produtos que contenham gordura ou carne de porco, já que a gordura normalmente não se altera por aquecimento ou fervura. Então, se está escrito no rótulo do produto que contém gordura de porco ou gorduras animais, isso torna aquele produto específico proibido para consumo, e é haram comê-lo pela razão mencionada.”
Eu tenho que ler os rótulos de todos os produtos que eu compro? E como podemos saber quais as substâncias haraam? Se esses números não são proibidos, então qual propósito deles? Uma pessoa comum não entende alguns desses números, e alguns produtos podem conter essas substâncias, mas elas não estariam escritas no rótulo.
É correto que se as mencionadas substâncias existam em um produto, mas em pequena quantidade, ele se torna halal? E se não sabemos a proporção exata? Qual é a sua opinião com relação a quem diz que algumas firmas alimentam perus com produtos de porco?
Serei pecador se eu comer um produto que descobri que contém uma das substâncias que talvez seja extraída do porco? Serei pecador se eu comer um produto e depois de comê-lo descubra que ele contém um dos números mencionados referindo que ele pode ter sido extraído do porco?
Desculpe-me por esta longa pergunta. Que Allah os recompense grandemente!

Texto da resposta

Todos os louvores são para Allah.

Em primeiro lugar:

Uma das coisas que diferenciam o Muçulmano dos outros é que ele presta atenção aos pareceres shar’i que têm a ver com a sua vida. Isso inclui seus ganhos, sua comida, sua bebida. O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) mencionou a importância da comida halal para o Muçulmano neste mundo e no Outro. Ele mencionou que comer comida haraam é uma causa da du’a não ser atendida e com relação à Outra Vida, há uma severa advertência ao que nutre seu corpo com coisas haraam.

O Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Todo corpo que é nutrido com coisas haraam, o Fogo é mais benéfico para ele (o corpo).” Narrado por al-Tabaraani; classificado como sahih pelo Shaikh al-Albaani em Sahih al-Jaami’ (4519).  

O Muçulmano deve acautelar-se sobre comer aquilo que não é permitido comer, e ele deve procurar comida halal, ainda que ela seja mais cara do que outra comida, e mesmo que obtê-la requeira mais esforço.

Em segundo lugar:

O porco é haraam e najis (impuro); é haraam comer sua carne ou gordura, e não é permissível comer um pouco ou parte dele. Se algumas partes de sua carne ou gordura é encontrado no pão, comida ou remédio, é completamente haraam consumi-los.

Os sábios do Comitê Permanente para Emissão de Fatawah disseram:

Se o Muçulmano tem certeza ou acha que é mais provável que qualquer carne de porco, banha de porco (gordura de porco) ou ossos de porco triturado entrou em sua comida, remédios, creme dental e assim por diante, então não é permitido que ele o coma ou beba, ou que o aplique em sua pele. Seja qual for a sua incerteza, deve abster-se disso, porque o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: "Deixai o que vos faz duvidar por aquilo que não vos faz duvidar". Fim de citação.

Shaikh ‘Abd al-‘Aziz ibn Baaz, Shaikh ‘Abd al-Razzaaq ‘Afifi, Shaikh ‘Abd-Allaah ibn Ghadyaan, Shaikh ‘Abd0Allaah ibn Qa’ud.

Fataawa al-Lajnah al-Daa’imah (22/281). 

Em terceiro lugar:

Será que o Muçulmano tem que perguntar e descobrir antes de ingerir quaisquer ingredientes se tem dúvidas sobre se há qualquer coisa haraam neles?

Os sábios do Comitê Permanente disseram: Se ele tem dúvida sobre alguma coisa, deve deixa-la. Noutro lugar (22/285) disseram: Ele deve perguntar sobre detalhes porque é obrigatório tomar cuidado em comer coisas haraam.

Isto é o que deve ser feito se o país onde os alimentos e bebidas foram fabricados é um onde as fábricas não são proibidas de usar derivados da carne de porco. Essas pessoas usam um monte de produtos derivados de porco, como a banha (gordura de porco) que eles usam em muitos tipos de alimentos, bebidas, remédios, pastas e assim por diante.

Se o país de fabricação é um país Muçulmano que proíbe o uso de carne de porco e seus subprodutos, então o Muçulmano não tem que pesquisar e perguntar e investigar sobre o produto ser permissível em si, pois é improvável que haja qualquer uma dessas coisas haraam nele.

Dependendo do país onde o alimento é produzido ou fabricado, os estudiosos vão dizer se deve ou não perguntar. Parte da indagação é perguntar a cientistas e especialistas sobre a composição química e materiais orgânicos. Também inclui a leitura das listas de ingredientes nos alimentos. Isso é suficiente para se certificar, mesmo que ele venha de um país kaafir (incrédulo), porque prestam a devida atenção a essas listas por receio das leis e penalidades. Eles são escravos do dinheiro e – na maioria dos casos – não se rendem à mentira. O que está escrito nelas quanto a símbolos e nomes dos ingredientes que não são entendidos, também devem ser inquiridos a respeito por aquele que está apto a fazê-lo. Hoje em dia o conhecimento está disponível através de várias maneiras. Quem confia neles, com relação a este assunto, e confia no que escrevem, pode ler a lista de ingredientes, do contrário deve perguntar mais, ou evita-lo completamente, o que é mais seguro.

Perguntaram aos sábios do Comitê Permanente para Emissão de Fatawa:

É essencial ler a lista de ingredientes escrita na comida, para ter certeza que não há produtos relacionados ao porco ou álcool?

Eles responderam:

Sim, é essencial. Fim de citação.

Shaikh ‘Abd al-‘Aziz ibn Baaz, Shaikh ‘Abd al-Razzaaq ‘Afifi. 

Fataawa al-Lajnah al-Daa’imah (22/285).

Em quarto lugar:

Tudo mencionado acima se aplica, quer haja um pouco de porco ou banha, quer tenha muito na comida, bebida ou remédio. Se essa carne ou gordura é manufaturada de um modo que muda a sua forma, a proibição é removida ou continua haraam e deve ser evitada?

Os sábios divergiram com relação a isso. Os sábios do Comitê Permanente para Emissão de Fatawa são da opinião que a proibição não cessa, e o parecer não muda de forma nenhuma. Outros – tais como a Organização Islâmica para Ciências Médicas – discordaram e disseram que najis, substâncias haraam tornam-se permitidas se são transformadas em outra coisa, e a qualidade da impureza e o nome não se aplica mais a elas. Isto está de acordo com o que Ibn al-Qayyim (que Allah tenha misericórdia dele) achou mais provável ser correto e é o que achamos mais provável ser correto. Nós citamos ambas opiniões na resposta à pergunta nº 97541.

Devemos acrescentar que esta é a opinião considerada ser mais correta pelo Conselho de Sábios Sêniores no Reino da Arábia Saudita. No livro deles al-Buhuth al-‘Ilmiyyah (3/467), disseram:

Semelhante a isso é a pureza do que foi fertilizado de árvores e plantações com coisas impuras; seus frutos são permitidos por causa da transformação da substância impura. Outro caso semelhante é a pureza do álcool que se transforma em vinagre; é permitido consumi-lo, vendê-lo, bebê-lo e usá-lo de outras maneiras, depois de ter sido álcool que é haraam para beber, vender ou comprar, e isso se dá por causa dessa transformação. Fim de citação.

Em quinto lugar:

Se a pessoa come comida haraam e não sabe nada sobre isso, ela deve evitar o resto (tão logo descubra que isso é haraam); e não deve fazer nada sobre o que aconteceu no passado, mas deve ter cuidado no futuro.

Os sábios do Comitê Permanente para Emissão de Fatawa foram perguntados:

Um homem comeu porco sem perceber, então outro homem veio até ele depois que já havia terminado e disse que era porco e, como sabemos, porco é haraam para os Muçulmanos. O que devemos fazer?

Eles responderam:

Ele não tem que fazer nada sobre isso, e não há pecado sobre ele, porque ele não sabia que era porco. Mas ele tem que ter mais cuidado e ter cautela no futuro. Fim de citação.

Shaikh ‘Abd al-‘Aziz ibn Baaz, Shaikh ‘Abd al-Razzaaq ‘Afifi, Shaikh ‘Abd-Allaah ibn Qa’ud.

Fataawa al-Lajnah al-Daa’imah (22/282, 283).

E Allah sabemelhor.

Enviar comentário