Em primeiro lugar:
A impureza (najaasah) do cachorro significa que ele é impuro por si só. Isso já foi discutido anteriormente nas respostas às perguntas nº 13356 e 69840.
Se uma pessoa tocar um cachorro e sua mão estiver molhada ou o cachorro estiver molhado, então sua mão se torna impura e ela precisa purificar tudo o que foi tocado por ele, como roupas, utensílios e assim por diante. Para informações sobre como purificar da impureza do cachorro, veja a resposta às perguntas nº 41090 e 119063 .
Em segundo lugar:
Não é apropriado perguntar a um incrédulo sobre a purificação de suas mãos, vestes ou utensílios, pois o princípio básico é que eles são puros, a menos que se prove que se tornaram impuros. No entanto, é melhor evitar usar seus utensílios e vestes até que sejam lavados. Al-Hajaawi (que Allah tenha misericórdia dele) disse em Zaad al-Mustaqni’: É permitido usar os utensílios dos incrédulos, mesmo que sua carne não seja halal, e usar suas vestes se não se for evidente o estado em que se encontram.
Shaikh Ibn ‘Uthaimin (que Allah tenha misericórdia dele) disse: Se alguém perguntasse, qual seria a evidência para isso? Diríamos que esse é o significado geral do versículo em que Allah, exaltado seja, diz (interpretação do significado): “Ele é Quem criou para vós tudo o que há na terra” [Al-Baqarah 2:29]. Além disso, se Allah nos permitiu comer a comida do Povo do Livro, então é bem sabido que eles, às vezes, nos trazem comida cozida em seus recipientes. E está comprovado que o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) foi convidado por um menino judeu para comer pão de cevada e gordura, e ele comeu um pouco. Da mesma forma, ele comeu um pouco da carne de carneiro envenenada que lhe foi dada (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) em Khaibar. E também está comprovado que ele (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) e seus Companheiros fizeram ablução com a água de um odre de uma mulher politeísta. Isso indica que tudo o que foi manuseado pelos incrédulos é puro (tahir).
Com relação ao hadith de Abu Tha'labah al-Khushani, segundo o qual o Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Não comei neles (os utensílios dos incrédulos), a menos que não encontrai outra coisa; nesse caso, lavai e comei neles”, isso indica que é melhor evitar usá-los. No entanto, muitos estudiosos interpretaram este hadith como se referindo a pessoas que são conhecidas por manusear e lidar com impurezas, tal como carne de porco e similares. Eles disseram: o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) proibiu comer em seus utensílios, a menos que não encontremos outra coisa; nesse caso, devemos lavá-los e então podemos comer neles. Esta interpretação é correta e está de acordo com as diretrizes da sharia.
As palavras “e suas vestes” significam que suas vestes são permitidas. Isso inclui o que eles fabricam e o que vestem. As roupas que eles fabricam são permitidas, e não questionamos se foram tecidas em um tear impuro ou tingidas com um corante impuro, pois o princípio básico é que as coisas são permitidas e puras. Da mesma forma, as roupas que eles usaram também são permitidas para nós, mas, no caso daqueles que se sabe que não se preocupam em evitar impurezas, como os cristãos, é melhor evitar usá-las, com base nas implicações do hadith de Abu Tha'labah al-Khushani (que Allah esteja satisfeito com ele).
A frase “se não se for evidente o estado em que se encontram” pode ser entendida de duas maneiras:
- Que se sabe que são puras.
- Ou que se sabe que são impuras.
Se for sabido que são impuras, não devem ser usadas até serem lavadas. Se for sabido que são puras, não há problema. O problema surge quando a condição delas não é conhecida. Devemos dizer que o princípio básico é que eles não tomam precauções para evitar impurezas e, portanto, são haram (proibidos), ou devemos dizer que o princípio básico é que as coisas são puras a menos que se prove o contrário? A visão correta é a última.
Fim da citação de ash-Sharh al-Mumti’, 1/82
An-Nawawi (que Allah tenha misericórdia dele) disse, após mencionar a regra sobre o uso das vestes e utensílios dos kuffaar: O que mencionamos sobre a regra de que os utensílios e as vestes dos kuffaar são puros é a nossa visão e a visão da maioria da geração anterior (salaf). Nossos companheiros narraram de Ahmad e Ishaaq que eles são impuros devido às palavras de Allah, exaltado seja (interpretação do significado): “Ó vós que credes! Os idólatras não são senão imundície (najasun: impuros)...” [at-Tawbah 9:28]. E por causa do hadith de Abu Tha‘labah e das palavras do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele): “Lavai”. Nossos companheiros citaram como evidência o versículo em que Allah, exaltado seja, diz (interpretação do significado): “E o alimento daqueles, aos quais fora concedido o Livro, é-vos lícito...” [al-Maa’idah 5:5]. E é bem sabido que eles cozinham seus alimentos em suas panelas e os tocam com as mãos. Por causa do hadith de Imran e da ação de ‘Umar, que são mencionados no livro; por causa do princípio básico de que as coisas são puras; e porque o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) costumava dar permissão aos incrédulos para entrarem na mesquita – se eles fossem impuros, ele não lhes teria dado permissão.
Fim da citação de Sharh al-Muhadhdhab, 1/320
Em resumo:
Não há razão para não usar os utensílios, toalhas e roupas de não-muçulmanos, embora seja melhor evitar fazê-lo, especialmente se eles forem conhecidos por manusear coisas impuras. Se as xícaras e os utensílios que sua mãe usa são guardados em um armário onde os cachorros não têm acesso, não há razão para não os usar. O mesmo se aplica a toalhas e roupas; se sua mãe as lava com água pura, não há nada de errado em usá-las. Também não há nada de errado em sua mãe lavar as mãos no seu banheiro ou comer e beber em seus utensílios, pois o princípio básico é que as mãos dela são puras.
E Allah sabe mais.