Em primeiro lugar:
Nowruz é uma palavra em farsi que significa “novo dia”.
É uma das festas dos persas e é considerada a mais importante delas. Foi dito que o primeiro a celebrá-la foi Jamshid, um dos antigos reis persas.
Nowruz é o primeiro dia do ano persa, e o festival continua por cinco dias.
Os coptas do Egito também celebram Nowruz, que é o primeiro dia do seu ano. No Egito, é conhecido como Shamm en-Nasim (o cheiro do Zéfiro).
Adh-Dhahabi (que Allah tenha misericórdia dele) disse em seu ensaio Tashabbuh al-Khasis bi Ahl al-Khamis (pág. 46):
Com relação a Nowruz, o povo do Egito leva a celebração e a observância ao extremo. É o primeiro dia do ano copta, que eles consideram um festival, e os muçulmanos os imitam.
Fim da citação de Majallat al-Jaami’ah al-Islamiyyah (edição n° 103-104)
Em segundo lugar:
Os muçulmanos não têm nenhuma festa a celebrar, exceto o Eid al-Fitr e o Eid al-Adha. Qualquer outra festa além dessas é uma invenção e não é permitida sua celebração.
Abu Dawud (1134) e an-Nassa’i (1556) narraram que Anas (que Allah esteja satisfeito com ele) disse: Quando o Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) chegou a Madinah, eles tinham dois dias em que costumavam brincar. Ele perguntou: “Quais são esses dois dias?” Eles responderam: Costumávamos brincar nesses dias durante a era da ignorância (Jaahiliyyah). O Mensageiro de Allah (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) disse: “Em verdade, Allah os substituiu para vós por algo melhor: o dia de (Eid) al-Adha e o dia de (Eid) al-Fitr.” Classificado como sahih por al-Albani em as-Silsilah as-Sahihah (2021).
Entre as festividades inovadas, podemos citar: Nowruz, Dia das Mães, aniversários, dias da independência nacional, entre outros. Se a festividade era originalmente uma celebração dos incrédulos, como o Nowruz, então a questão é ainda mais séria.
O Nowruz é uma festividade jahili (ignorante). Era celebrado pelos persas antes do Islam e também é celebrado pelos cristãos. Isso significa que a proibição de o celebrar é ainda mais enfatizada, devido ao que isso implica quanto à imitação.
Adh-Dhahabi disse em seu ensaio at-Tamassuk bi’s-Sunan wa’t-Tahdhir min al-Bida’:
Com relação à imitação dos ahl adh-dhimmah [não-muçulmanos que vivem sob o domínio muçulmano] na celebração do Natal, quinta-feira Santa e nowruz, isso é uma bid’ah (inovação) repreensível.
Portanto, se o muçulmano celebra essas datas como uma observância religiosa, isso é um ato de ignorância, e ele deve ser repreendido e instruído. Se ele o faz por amor aos ahl adh-dhimmah e para expressar alegria, mesmo assim, também é repreensível. Se ele o faz porque é uma tradição e faz por diversão, para agradar e consolar seus filhos, isso é passível de discussão. As ações são motivadas apenas pelas intenções, e aquele que é ignorante é desculpado, mas as coisas devem ser explicadas a ele de maneira gentil e amável. E Allah sabe mais.
Fim da citação de Majallat al-Jaami’ah al-Islamiyyah (edição n° 103-104).
A quinta-feira Santa é uma festividade cristã, também conhecida como grandiosa quinta-feira Santa [é a quinta-feira antes da Páscoa].
Em al-Mawsu’ah al-Fiqhiyyah (12/7) consta:
Imitar os incrédulos em suas festividades: Não é permitido imitar os incrédulos em suas festividades, devido ao que diz o hadith: “Quem imita um povo se torna parte dele”. Isso significa que os muçulmanos devem evitar se assemelhar aos incrédulos em qualquer aspecto que lhes seja particular.
Foi narrado por Abdullah ibn Umar (que Allah esteja satisfeito com ele): Quem passar pela terra dos não-árabes e celebrar o Nowruz e o Mahrajaan (Mehrgan), e os imitar até morrer nesse estado, será reunido com eles no Dia da Ressurreição. Além disso, os festivais se enquadram na categoria de leis, ensinamentos e rituais sobre os quais Allah, glorificado e exaltado seja, disse (interpretação do significado): “E, para cada comunidade, fizemos rito de sacrificio [cerimônia religiosa]...” [Al-Hajj 22:34] – como a direção para a qual se deve estar voltado ao rezar, a oração e o jejum. Portanto, não há diferença entre a participação deles no festival e a participação em qualquer outra cerimônia ou prática religiosa. Participar de todo o festival com eles é participar da incredulidade, e participar de alguns aspectos menores dele é participar de alguns ramos da incredulidade. De fato, os festivais estão entre as características mais singulares que distinguem as religiões e também entre as cerimônias e rituais mais evidentes; portanto, aderir a elas nesses aspectos é aderir aos rituais mais singulares e evidentes da incredulidade.
Qadi Khan disse: No dia de Nowruz, se um homem compra algo que não compra em nenhum outro dia e sua intenção ao fazê-lo é venerar esse dia como fazem os incrédulos, então isso constitui incredulidade. Mas se ele o faz por extravagância e diversão, e não por veneração a esse dia, então não constitui incredulidade.
Se alguém dá um presente a outra pessoa no dia de Nowruz e não o faz por veneração ao dia – mas sim porque é o costume do povo – então isso não constitui incredulidade. Mas ele não deve fazer nesse dia coisas que não faria antes ou depois dele, e deve evitar imitar os incrédulos.
Ibn al-Qaasim (que era um Maliki) desaprovava dar um presente a um cristão por ocasião de seu festival, considerando isso como veneração ao festival e auxílio à sua incredulidade.
Assim como não é permitido imitar os incrédulos em seus festivais, não se deve ajudar um muçulmano que os imita a fazê-lo; pelo contrário, deve-se adverti-lo a não fazer. Se alguém convida pessoas para uma refeição ou reunião por ocasião de seus festivais, contrariando seu costume, o convite não deve ser aceito. Se um muçulmano oferece um presente por ocasião desses festivais, contrariando seu costume em outras ocasiões que não o festival, o presente não deve ser aceito, especialmente se for algo que incentive a imitação, como velas e outros objetos semelhantes no Natal.
É essencial punir aqueles que imitam os incrédulos em seus festivais.
Fim da citação.
Shaikh Ibn Jibrin (que Allah o preserve) disse:
Não é permitido celebrar festivais inovados, como o Natal dos cristãos, o Nowruz (Ano Novo Persa), o Mahrajaan (festival persa), ou festas que foram inovadas pelos muçulmanos, como o aniversário do Profeta em Rabi’ al-Awwal ou o Israa’ em Rajab, e similares. Não é permitido comer a comida que os cristãos ou politeístas preparam por ocasião de suas festas. Também não é permitido aceitar seus convites para participar de suas celebrações nessas festas, porque isso os encoraja e equivale a aprovar sua bid’ah (inovação religiosa), o que dá uma ideia errada às pessoas ignorantes e as faz pensar que não há nada de errado nisso. E Allah sabe mais.
Fim da citação de al-Lu’lu’ al-Makin min Fataawa Ibn Jibrin.
Conclusão: não é permitido aos muçulmanos celebrar o Nowruz ou marcar esta ocasião com festividades, preparo de comidas especiais ou troca de presentes.
E Allah sabe mais.