Diversos juristas consideraram preferível dividir o sacrifício (udhiyah) em três partes, consumindo um terço, oferecendo um terço como presente e um terço como caridade aos pobres, devido ao relato narrado por Ibn Mas'ud e Ibn Umar.
Ibn Qudamah (que Allah tenha misericórdia dele) disse em Al-Mughni (9/488): O mais recomendável é que a pessoa consuma um terço de seu sacrifício, ofereça um terço como presente e um terço como caridade, mas se consumir mais, isso é permitido.
Ahmad disse: Seguimos o hadith de Abdullah: ele pode consumir um terço, alimentar quem quiser com um terço e dar um terço em caridade aos necessitados.
‘Alqamah disse: Abdullah enviou seu animal sacrificial comigo [durante o Hajj] e me instruiu a comer um terço, enviar um terço para a família de seu irmão Utbah e dar um terço em caridade.
Foi narrado que Ibn Umar disse: [Quando se oferece] udhiyah e hadiy (sacrifício durante o Hajj), um terço é para si, um terço é para a família e um terço é para os necessitados.
Esta é a opinião de Ishaq e é uma das duas opiniões de ash-Shafa'i. De acordo com sua outra opinião, ele disse: Deve-se dividir em duas metades, comer uma metade e dar a outra metade em caridade, porque Allah, Exaltado seja, diz (interpretação do significado): “Então, deles comei e alimentai o desventurado, o pobre...” [Al-Hajj 22:28].
As-hab ar-ra’y disse: Quanto mais ele der em caridade, melhor, porque o Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) sacrificou cem camelos [durante o Hajj] e instruiu que um pedaço fosse retirado de cada camelo e colocado em uma panela. Então, ele e Ali comeram a carne e beberam o caldo. E ele sacrificou cinco ou seis camelos e disse: “Quem quiser, que corte um pedaço”, e ele não comeu nada da carne deles. E também temos outro relato de Ibn Abbas que descreve a udhiyah (caridade) do Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele). Ele disse: Ele alimentava seus familiares com um terço, seus vizinhos pobres com um terço e dava um terço em caridade aos mendigos. Narrado por al-Hafiz Abu Mussa al-Asbahani em Al-Waza’i; ele disse: é um hadith autêntico (hassan).
E como estas são as palavras de Ibn Mas'ud e Ibn Umar, e não conhecemos nenhum outro Sahabah que tivesse uma opinião diferente, trata-se de um consenso. Além disso, Allah, Exaltado seja, diz: “comei deles e alimentai o pobre e o mendigo. Assim, submetemo-los a vós, para serdes agradecidos...” [Al-Hajj 22:36].
O pobre que não pede é aquele que aparece para que vocês o alimentem, mas não pede de fato. Três categorias de beneficiários são mencionadas, portanto a carne é dividida entre elas em três partes iguais.
Com relação ao versículo citado como evidência pelos companheiros de ash-Shafa'i, Allah – Exaltado seja – não explicou quanto se deveria comer e quanto se deveria dar em caridade, mas Ele se refere a isso neste versículo, e foi explicado pelo Profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) em suas ações, por Ibn Umar em suas palavras e por Ibn Mas'ud em suas instruções.
Quanto à opinião de as-hab ar-ra'y, ela se refere à carne dos animais sacrificados [no Hajj], e a quantidade de carne desses animais é excessiva, sendo impossível para um indivíduo dividi-la e ficar com um terço; portanto, ele deve doar tudo em caridade.
Essa questão é flexível, então, é permitido se alguém doar tudo ou a maior parte em caridade, e se comer tudo, exceto uma porção (uqiyah) a qual doou em caridade, isso também é permitido. Fim da citação.
Shaikh Ibn Uthaimin (que Allah tenha misericórdia dele) disse: Quanto às palavras “que ele coma, dê presentes e dê caridade em terças partes”, esta é a opinião preferida pelos companheiros do Imam Ahmad (que Allah tenha misericórdia deles), e foi isso que foi narrado pelas primeiras gerações (os salaf, que Allah tenha misericórdia deles).
E foi dito: antes, ele deveria comer e dar em caridade em metades, porque Allah, Exaltado seja, diz: “comei deles e alimentai o pobre e o mendigo...” [Al-Hajj 22:28] e “comei deles e alimentai o pobre e o mendigo (aquele que pede)...” [Al-Hajj 22:36]. E Allah, Exaltado seja, não mencionou dar presentes, porque dar presentes tem o propósito de criar laços entre as pessoas, e isso pode ser alcançado dando-lhes parte da carne do sacrifício ou outras coisas.
Esta opinião é a que mais se aproxima do significado aparente no Alcorão e na Sunnah, mas, mesmo assim, se as pessoas têm o costume de trocar presentes de carne do sacrifício, isso é algo preferível, pois está incluído no significado geral do mandamento de criar laços de amizade entre as pessoas. Sem dúvida, se você der um pouco da carne durante os dias do sacrifício a uma pessoa rica, ela apreciará mais do que se você lhe desse outros tipos de alimentos, como tâmaras, trigo e similares. Se isso servir a um interesse, então é algo bom e necessário, mas estipular que deva ser um terço requer evidência da Sunnah.
O Mensageiro (que a paz e as bênçãos de Allah estejam sobre ele) deu toda a carne dos camelos sacrificados durante o Hajj em caridade, exceto as partes que ele escolheu para serem colocadas juntas em uma panela e cozidas. (Ash-Sharh al-Mumti’, 7/482).
A questão é flexível, então, se você der um terço da carne como presente, isso é bom, e se você cozinhá-la e convidar sua família para comer, isso também é bom, mas dar a carne crua é melhor, e esse é o costume que as pessoas seguem em relação à udhiyah.
Quanto à quantidade a ser dada ao pobre, você deve dar carne suficiente para que ele leve para casa, não apenas convidá-lo para uma refeição. Foi dito em Sharh al-Muntaha (1/613): O importante é dar um pouco da carne crua ao pobre, e não o suficiente para alimentá-lo, que é o que se exige no caso de expiação (kaffarah). Fim da citação.
E Allah sabe mais.